quinta-feira, 1 de fevereiro de 2007

ALIANÇA DOS ALÍENIGENAS ALIENADOS - Nº 2

E enquanto 2010 não chega...
Por Joannes Lemos
Nasce mais um ano, e com ele, somos surpreendidos mais uma vez pela implacável organização que tem apenas um objetivo: se apossar dos domínios do Brasil. O dia 1º de fevereiro é marcado pelo reaparecimento dos novos membros da aliança que há tempos vêm assolando os quatro cantos do nosso imenso território.
A existência desta confraria não é segredo pra ninguém. Eles estão presentes em todos os estados do Brasil com seus representantes. A mídia nacional e internacional promove ampla cobertura jornalística dos eventos que coroam o novo reinado dos membros da comunidade, que chegaram aonde chegaram com o apoio dos terráqueos. Isso mesmo, em pleitos que acontecem periodicamente, a democracia acabou elegendo entre vários candidatos humanos alguns extraterrestres. Candidatos esses que não tem o menor compromisso com o país verde-amarelo, que fazem questão de mostrar o quanto vil e torpe são, talvez por não possuírem o caráter que se imagina existir na maioria dos humanos. O caradurismo e a desfaçatez imperam na índole desses facínoras.
Mas que fique claro: entre os membros da nova gestão legislativa da nação existe a minoria - esta por sua vez humana -, séria, competente, de boa estirpe e que está antenada com os problemas da imensa massa populacional que vive mergulhada na carência, e é claro, a mercê da Aliança dos Alienígenas Alienados. Mas essa pequena minoria é insuficiente para vencer a potente aliança.
Agora, caros amigo, é ficar de olho no noticiário político e vigiar como verdadeiros cães de guarda o trabalho - ou a falta dele - da entidade do planeta Corrupturno, e quem sabe, não cometer as mesmas bobagens na próxima vez. Sei que o desafio é difícil, e quem sabe se com o bom senso de todos um dia essa raça malcheirosa deixe de existir. Não custa nada tentar.

terça-feira, 30 de janeiro de 2007

CRONICAMENTE FALANDO - Nº 3

O Perigo é mais embaixo
Por Joannes Lemos
Numa cidade imensa como Gigantópolis é preciso ter bastante cuidado ao sair pelas ruas. O trânsito é complicado, e o risco de colisões e atropelamentos é constante. Fora os perigos dos assaltos, porque os meliantes estão por todos os cantos. Não bastasse isso, ainda é preciso ter consciência de onde se pisa, já que Gigantópolis agora foi acometida por um estrondoso problema: os desabamentos de ruas.
Um dia bonito, uma caminhada tranqüila por uma rua de um bairro familiar, e, quando menos se espera – e nem é possível imaginar – tudo o que está aos arredores afunda, para as profundezas do desconhecido. Tem início uma luta pela vida, onde as equipes de socorro da grande cidade procuram por vítimas. O trabalho não é fácil, e somente depois de exaustivos dias de trabalho são encontradas as vítimas de um projeto executado de forma assustadoramente incorreta.
Algumas famílias que moram – ou moravam – no local do acidente perdem suas casas, e com elas, as lembranças de toda vida.
A tragédia de Gigantópolis é estampada no noticiário nacional e internacional. Começa um jogo de empurra-empurra para saber de quem é a culpa pelo desastre. O impasse, assim como em uma novela, terá vários capítulos.
Mas de tudo o que aconteceu, uma coisa ficou bem clara: a persistência e garra das equipes de salvamento, que trabalhavam incansavelmente dia e noite, para, enfim, proporcionar um fim digno para aqueles que perderam suas vidas em meio às toneladas de areia e pedra.
Agora, sempre que sair de casa, a população de Gigantópolis ficará bem atenta por onde pisa, pois mais um problema afeta a vida da cidade: as ruas que desabam.

domingo, 17 de dezembro de 2006

TV BEST BRASIL - Nº 3

Lá vai o Brasileiro, descendo a ladeira
Por Joannes Lemos
Entra ano e sai ano, e nós, pobres mortais brasileiros, convivemos com todo tipo de injustiça. As disparidades econômicas e sociais que nossa nação enfrenta são numerosas. Mas, o Brasileiro a que me refiro no título não é um cidadão. O Brasileiro do título trata-se do Sistema Brasileiro de Televisão, ou simplesmente, SBT, que assim como os brasileiros - pessoa física - também enfrenta crises.
Durante muitos anos, a emissora de Silvio Santos, fundada em 1981 como um canal de apelo fortemente popular, foi a vice-líder isolada de audiência. Alguns programas do canal marcaram época, principalmente os programas de auditório da emissora, como o Topa Tudo Por Dinheiro, Viva a Noite, TV Animal, Porta da Esperança e Boa Noite Cinderela, que fizeram muito sucesso entre o fim dos anos 1980 e começo dos anos 1990. Recentemente, o SBT levou ao ar programas de qualidade – o que é raridade para os padrões da emissora – como o Show do Milhão, e, mais recente ainda, o programa educativo SUPERNANNY, que assim como o Show do Milhão, foi um formato comprado de produtoras internacionais.
Na teledramartugia, o SBT também deixou sua marca, com produções de boa qualidade e que alcançaram patamares de audiência invejosos para a emissora. Novelas como Éramos Seis, As Pupilas do Senhor Reitor e Os Ossos do Barão, com alguns profissionais da poderosa Rede Globo. Outro produto que marcou o canal foram as melosas novelas mexicanas, que estiveram presentes no canal desde sua inauguração. Novelas como Carrossel, que arrebatou o coração de uma legião de fãs, que não perdiam um só capítulo das peripécias de Cirilo, Maria Joaquina e companhia limitada. Outro estouro latino do canal foi a trilogia das Marias – Maria Mercedes, Marimar e Maria do Bairro – todas estreladas por Thalia.
Depois de alguns anos com suas produções sendo realizadas em vários estúdios espalhados pela cidade de São Paulo, em 1999 Silvio Santos inaugurou o complexo de estúdios da Anhanguera, que passou a reunir, em um só lugar, todos os programas da emissora. Esses estúdios são considerados um dos mais modernos e completos da América Latina.
Mas, ultimamente, tanto espaço e tecnologia perderam sentido. A emissora de Silvio Santos atravessa atualmente uma grande crise de identidade. Os diretores do canal e o próprio homem do baú parecem estar perdidos, dançando o samba do crioulo doido, literalmente. Para começar, o canal não tem uma programação fixa, coisa que já não tem faz muito tempo. E agora tudo parece ter saído de controle. Ameaçada pela investida da Rede Record, que quer, de qualquer maneira, tirar a segunda colocação do SBT, os diretores da emissora, sob o comando de Silvio, resolveram bagunçar de vez o que já era uma bagunça. E o que vemos é um SBT que só vai descendo a ladeira. A cada dia que passa, a qualidade da emissora, que praticamente sumiu, se perde ainda mais. Todos os dias, os programas trocam de horário. As novelas mexicanas, que antes davam 15 ou 20 pontos, hoje penam para alcançar 6 ou 7 pontos. A magia dos programas de auditório do canal se perdeu por completo, se salvando apenas o novo Topa ou não Topa – também um formato importado.
E o jornalismo da emissora hein! Todos nós sabemos que o jornalismo sempre foi o ponto fraco do SBT. Silvio Santos nunca fez questão de investir neste serviço. Recentemente, mudou de idéia, e resolveu ressuscitar o fraco noticiário do canal, contratando nomes de peso, como Ana Paula Padrão e Carlos Nascimento. Mas nada disso funcionou. Apesar de tentarem, o jornalismo da emissora é bem fraco e ainda não mostrou a que veio. E as gafes vieram aos montes. A mais recente aconteceu a pouco tempo, quando, do nada, a apresentadora encerrou o telejornal SBT Brasil - certamente por uma decisão que chegou até seu ponto eletrônico, vinda de cima -, e, ao anunciar a próxima atração ficou muda, pois não sabia qual programa viria. O veterano Hermano Hening, que dividia a bancada com ela, ficou desconcertado.
O que nós, cidadãos brasileiros queremos, é que a emissora possa se safar dessa crise que atinge o canal, voltando dessa forma aos bons e velhos tempos, uma época em que a emissora era chamada de TVS. Sem querer ser pessimista, mas a atual programação do SBT lembra em muito a programação da saudosa TV Tupi em seus últimos dias de vida. Vários enlatados preenchiam a grade da emissora. Qualquer semelhança com o atual SBT seria mera coincidência. A vantagem é que a rede de Silvio Santos têm a Tele Sena e o Baú da Felicidade para apagar os incêndios financeiros do canal.

quarta-feira, 13 de dezembro de 2006

CINE MILÊNIO - Nº 4

Água na boca e nos olhos
Por Joannes Lemos
O hábito de ir ao cinema é, sem sombra de dúvidas, gratificante e prazeroso. No escurinho do cinema, o espectador pode rir, chorar, se emocionar, ficar com raiva e trazer à tona vários outros sentimentos. E é claro, ir ao cinema com freqüência é uma ferramenta importante para adquirir um pouco mais de cultura. Mas é importante frisar que não basta ir a uma sala de exibição só para assistir produções norte-americanas. Os Estados Unidos não são o único país do mundo a produzir a sétima arte. Sabemos que eles são especialistas no assunto. Mas que fique bem claro: lá, filme é visto atualmente mais como um produto tipo exportação do que um produto cultural, apesar de que grandes obras-primas ainda são produzidas por lá.
Precisamos criar o costume de ir às salas de exibição que oferecem filmes de outras nacionalidades. Muitas vezes não fazemos isso por preconceito e por acreditar que as produções cinematográficas de outros países são ruins e de baixa qualidade. Miserável engano. Outros países são capazes de oferecer ao grande público trabalhos magníficos. Podemos destacar a França, a Espanha, a Índia e o Irã, e até mesmo o Brasil, que presenteia o público com produções bem arranjadas como Zuzu Angel, mas que volta e meia escorrega, produzindo títulos como “O Cavalheiro Didi e a Princesa Lili”. Ninguém é perfeito, mesmo ainda existindo público e demanda para este tipo de filme.
A culpa pela falta de exibição de bons filmes não americanos também é dos exibidores. São poucas as salas que exibem filmes do circuito alternativo. É por isso que devemos aplaudir a atitude da Lentes Varilux e da Pandora Filmes, que juntas apresentaram entre os dias 10 de novembro e 21 de dezembro o 5º Festival Varilux de Cinema Francês, que exibiu a cada semana, em duas cidades diferentes, sete filmes franceses. Entre as cidades sortudas que puderam fazer parte do calendário de exibições estava a nossa capital Vitória. Os sete longas foram apresentados no Cine Ritz Jardins em Jardim da Penha. Durante seis dias, os cinéfilos como eu puderam acompanhar obras de primeira linha. São elas: A Comédia do Poder; Eu Me Chamo Elisabeth; Paris, Eu Te Amo; Em Direção ao Sul; Você é Tão Bonito; No Calor do Verão e A Cidade Está Tranqüila.
É uma tarefa complicada ao extremo dizer qual destas produções é a melhor, não tem como chegar a uma conclusão desse tipo. Todas sem exceção são de primeira linha. Infelizmente, não tive o privilégio de assistir No Calor do Verão e A Cidade está Tranqüila, mas com certeza, e, segundo a crítica, são obras-primas, assim como as outras.
A Comédia do Poder (2006) fala de poder e corrupção com pitadas de ironia, que o diretor Claude Chabrol soube utilizar na medida certa. A atuação da atriz Isabelle Huppert dispensa comentários, e é capaz de deixar qualquer um embasbacado. Eu Me Chamo Elisabeth (2006), que se passa na década de 1940 no interior da França, é um drama que fala de separação familiar de forma bem leve e meiga, capaz de deixar no final a sensação de ‘que pena que já acabou’. Paris, Eu Te Amo (2006) é uma produção realizada por 23 cineastas de diferentes países, entre eles os brasileiros Walter Salles e Daniela Thomas. Cada diretor teve 5 minutos para contar uma história que mostrasse uma das faces de Paris, que foi a grande estrela da produção. Este filme também conta com um elenco estelar, entre eles, Juliette Binoche (Chocolate) e Nathalie Portman (V de Vingança). Você é Tão Bonito (2006) é uma comédia romântica graciosa que provoca risos sem necessidade de apelação. E para o fim deixei Em Direção ao Sul (2005), co-produção França-Canadá. A narrativa, uma das que mais gostei, acontece na década de 1970 numa praia paradisíaca do Haiti, onde duas estrangeiras maduras se apaixonam por um nativo de 18 anos, dando origem a uma disputa que envolve sensualidade misturada com carência afetiva.
Com essa rodada de filmes franceses veio junto uma onda de satisfação e prazer por poder assistir obras tão bem produzidas e qualificadas. Ao mesmo tempo em que dava vontade de sorrir, também dava vontade de chorar, pois os olhos enchiam de lágrimas no fim de cada filme, e a boca ficava salivando, querendo mais e mais e mais. E o idioma inglês nem fez falta. Agora, é esperar 2007 chegar e esperar que a sexta edição do festival venha para nossa cidade novamente.

quinta-feira, 2 de novembro de 2006

VITRINE DA LITERATURA - Nº 4

1984 – de George Orwell

Por Joannes Lemos
“Se você quer uma imagem do futuro, imagine uma bota prensando um rosto humano para sempre”. Esse breve discurso ficará imortalizado como uma das preciosas preces de George Orwell, considerado um dos mais influentes escritores políticos do século XX.
E 1984 não poderia ter saído de outras mãos que não as de Orwell. A magnífica obra foi escrita em 1948, dois anos antes da morte de Orwell, e ainda mostra-se mais atual do que nunca. O livro é uma metáfora sobre o poder e as sociedades modernas, uma triste história de abuso de poder e totalitarismo desenfreado. No ano de 1984, o mundo está dividido em três grandes superestados: a Eurásia, a Lestásia e a Oceania. Esses três grandes estados vivem, ou pelo menos aparentam viver, em uma guerra implacável e permanente.
O desenrolar da trama orwelliana acontece em Londres, localizada no superestado da Oceania. O personagem central do enredo é o jovem Winston Smith, um jovem funcionário pós-balsaquiano do Ministério da Verdade. Isso mesmo, Ministério da Verdade. Mas não se deixe enganar pelo nome dessa instituição pública totalitarista. Lá também é possível encontrar o Ministério do Amor, Ministério da paz e Ministério da Fartura. Porém, suas funções não condizem com esses nomes, pois o objetivo desses Ministérios é realizar o inverso do objetivo que o povo acredita.
Winston, assim como todos os outros, vivem em um regime tirano, que exerce total pressão e opressão na vida dos cidadãos. Até a língua, o modo de falar e escrever das pessoas, passa a ser exercido de forma totalitária, ganhando o nome de Novilíngua. E o objetivo de criar uma nova língua é fazer com que, após alguns anos de uso, as pessoas não pudessem expressar suas idéias e emoções, visto que as palavras certas para isso, em desuso, seriam totalmente esquecidas depois de um tempo. E cada vez mais, os cidadãos viveram na mais completa submissão, uma vida obscura, sem sentimentos, sem evolução, sem perspectiva de justiça.
Mas existem coisas piores. Todos, sem exceção, vivem dia e noite vigiados pelas intrigantes teletelas. Em todos os cômodos, de todas as casas. Em todos os becos, em todas as ruas. Em todos os cantos. Não é possível dar um passo em falso, não é possível conspirar, não é possível rebelar-se. Onde não existem câmeras, existe a presença de microfones. É assim que o chefe supremo do Partido, o Grande Irmão, controla a vida de todos, passo a passo, sem qualquer pudor. É assim que Winston Smith convive. Ele, porém, quer conspirar, planeja vários esquemas com sua amada Júlia. Mas o livro de George Orwell não é um romance açucarado, muito menos um roteiro de novela mexicana. Ele acaba de forma extenuante. Derrotado. Não consegue mudar a realidade em que vivia. Uma realidade de um governo egocêntrico e que se qualifica como excelso, onde não existe liberdade de expressão, liberdade de opinião, liberdade ideológica. Inclusive, um dos lemas do Partido autoritário é “Liberdade é Escravidão”.
Dessa forma, os tiranos conseguem ludibriar boa parcela dos cidadãos, tendo a audácia de dizer fazer o melhor para todos, com estatísticas enganadoras. E os cidadãos acreditam, ou pelo menos se deixam enganar, achando que aquela é a melhor forma de governo. E a história de 1984 termina com tudo igual ao que era na primeira página. E o mundo obscuro da insanidade política continua o mesmo.
Vale lembrar que 1984 é o livro que inspirou a criação da febre mundial Big Brother, ou, Grande Irmão. Como se do que precisássemos hoje em dia fosse ser vigiado e controlado o tempo todo, e não exercer controle.
E assim dizia George Orwell, o famoso pseudônimo de Eric Arthur Blair: “Quando me sento para escrever um livro, não digo para mim ‘vou produzir uma obra de arte’. Escrevo porque existe alguma mentira para ser denunciada, algum fato para o qual quero chamar atenção, e acredito sempre que vou encontrar quem me ouça”.
Qualquer palavra que ele diga deve ser refletida, para conscientizar e humanizar o sentimento, as iniciativas e os ideais das futuras gerações.

segunda-feira, 9 de outubro de 2006

ARTIGO.COM - Nº 3

Democracia Envergonhada
Por Joannes Lemos
Com as eleições 2006 o Brasil mostra mais uma vez que é um país democrático. Em todo domínio nacional o que vimos foi um pleno exercício de cidadania, onde todos com mais de 16 anos puderam expressar suas opiniões, através do ato livre do voto. Um ato um tanto gratificante, não fosse por um detalhe. Por ter um lado positivo, a democracia também tem seu lado negativo. São duas faces de uma mesma moeda.
Existe uma famosa frase que diz que a democracia é o governo do povo para o povo. Aí é que mora o perigo. Em muitos casos, não é bem assim. Na verdade é o governo da elite, às vezes para o povo, e na maioria das vezes para a própria elite.
O problema maior da democracia é a escolha dos candidatos errados. Infelizmente, a maioria da população brasileira não faz uma reflexão antes de votar. É preciso ponderação. É preciso conhecer as propostas de trabalho, as metas e o histórico do candidato em que se vai votar. A maior parte do eleitorado não faz isso, e o resultado dessa arrogância já conhecemos.
Em várias partes do país, figuras das mais estranhas foram eleitas. O estado de São Paulo foi um dos que mais elegeram figuras ‘bizarras’. Um deles foi Paulo Maluf, aquele que diz ‘isso não é meu’, e foi eleito o deputado federal mais votado de São Paulo, com 739.827 votos. Outra figura estranha eleita foi o estilista Clodovil Hernandez, com 493.951 votos. Curioso ou não, Clodovil deixava bem claro que não possuía nenhum plano de trabalho. Ao ser perguntado por um jornalista da Folha de S.Paulo qual seria a primeira coisa que faria quando chegar à Brasília, ele foi categórico e banal: “Vou olhar a decoração e os móveis da minha sala”. A campanha do sujeito na TV parecia um quadro do Zorra Total. Em uma das falas ele dizia “Brasília nunca mais será a mesma", e em outra, debochava: “Meu número é 3611, e sabe por que? Porque 24 já era, o negócio agora é 1 atrás do outro”. Quanta baixaria.
Encerrando a seleta lista – só para ficar em alguns exemplos – São Paulo elegeu para a Câmara Federal Frank Aguiar (o cãozinho dos teclados) e o petista envolvido em certos esquemas ilícitos, José Genoíno. Não poderia deixar de citar a vitória do ex-presidente Fernando Collor ao senado, pelo estado das Alagoas, da briguenta e atuante Heloísa Helena.
É claro que não temos só exemplos ruins. Alguns candidatos sujos não conseguiram a reeleição, como a Deputada Federal por São Paulo Ângela Guadagnin, aquela que sambou no plenário da Câmara. No Espírito Santo, a maioria dos envolvidos no mensalão capixaba também não foram reeleitos, provando que os eleitores estão atentos, ou pelo menos parte dos eleitores.
E assim termina o 1º turno das eleições, com muitas surpresas, boas e ruins. Independente dos resultados, a democracia ainda é o melhor método para decidirmos quem deve representar a maioria. Agora, o maior desafio é ensinar os brasileiros a fazer suas escolhas da melhor maneira. E isso não se faz sem conhecimento e informação. Muita informação, em doses exageradas.

terça-feira, 12 de setembro de 2006

CONTO RELÂMPAGO - Nº 3

A Lamparina
Por Joannes Lemos
Bem nos confins do interior de uma cidadezinha, uma pequena família vivia modestamente, sobrevivendo através do cultivo do café. A humilde e singela casinha não possuía energia elétrica. Mas isso não era problema para Inezita, a mais nova de cinco irmãos. Todos os dias, ela se via ansiosa pela chegada da noite, pois assim poderia fazer a leitura dos livros que pegara emprestados em sua escola, que ficava na cidade. Toda ansiedade existia porque a leitura seria feita sob a luz de sua fiel acompanhante, uma lamparina, que seu pai adquirira na mercearia.
Inezita achava a leitura com a lamparina mais prazerosa, emocionante. As páginas, as letras, como ela mesma achava, ficavam mais bonitas quando estavam iluminadas pela luz amarelada da lamparina.
Mas o que Inezita não esperava aconteceu.
A companhia de serviços elétricos instalou em sua casa a tão sonhada energia elétrica, que seus pais tanto desejavam. Agora, sua amiga de leituras, a lamparina, seria esquecida por todos.
No entanto, Inezita não deu importância para o progresso que acabava de chegar. Todas as noites ia para o canto mais escuro da casa, apagava a lâmpada e acendia a lamparina. Entrava em êxtase ao ver que sua luz preferida ainda brilhava intensamente, e descobriu, definitivamente, que uma das coisas que mais gostava na vida era a escuridão, pois sem ela, não poderia desfrutar das luzes de sua amiga – a lamparina.