segunda-feira, 30 de março de 2009

JUSTIÇA TARDA E ÀS VEZES NÃO FALHA

Por Joannes Lemos

Crise global, queda do IPI incidente sobre carros e motos, redução de impostos sobre materiais de construção e uma série de medidas que o governo federal vem tomando para conter a marolinha da economia global. Enquanto que de um lado há um esforço para refrear o avanço da crise, principalmente mexendo na pesada carga tributária brasileira, por outro lado algumas pessoas deitam e rolam na sonegação fiscal. Que o diga Eliana Tranchesi, 53, dona da Daslu, a mega-luxuosa loja de artigos ultrafinos.

A prisão de Eliana, do irmão dela, Antonio Carlos Piva de Albuquerque e mais cinco pessoas ligadas ao esquema de fraudes da Daslu não serviu apenas para alimentar as pautas dos veículos de comunicação. O que surpreendeu foi a pena de 94 anos e meio que Eliana e o irmão foram condenados, maior que a de conhecidos criminosos, como Suzane Richthofen (39 anos), ou Marcola, líder do PCC (40 anos). A decisão da juíza Maria Isabel do Prado, da 2ª Vara Federal de Guarulhos foi elogiada por alguns bacharéis em direito e criticada por outros.

Em um momento como esses, no entanto, não basta uma condenação de dezenas de anos para mostrar que a justiça foi feita. As instâncias superiores da justiça brasileira precisam ter cautela e saber a pena que cada um realmente merece. Anos de impunidade em uma terra onde apenas a elite foi beneficiada com as benesses da justiça não podem ser exemplificados com medidas extremistas, apenas para dar uma lição de moral. A ação hollywoodiana da Operação Satiagraha demonstrou isso muito bem.

O que muita gente no Brasil já sabe é que esses anos todos a que Eliana foi condenada serão diluídos talvez em meses de pena. E não é de hoje que a Daslu está na mira da Polícia Federal. Em outubro de 2004 uma nota fiscal apreendida pela PF no Aeroporto de Cumbica já havia levantado suspeitas, por ser diferente da mesma nota apresentada à Receita Federal. Em nova ação da PF em 2005 vários documentos da Daslu foram apreendidos, quando Eliana Tranchesi ficou 12 horas detida prestando depoimento. O irmão dela foi preso e solto após cinco dias. Em dezembro de 2006 a Receita Federal autuou a Daslu em R$ 236 milhões por sonegação de impostos. Em abril de 2008 acontece nova manifestação da justiça, quando o Ministério Público pede a condenação de 28 anos de Eliana. Número que agora pulou para 94 anos e meio.

A opinião pública não pode ficar com ‘peninha’ de Eliana só porque ela está fazendo um tratamento de câncer. Todos sabem que é uma doença cruel, mas nada anula os crimes cometidos como formação de quadrilha, descaminho e falsidade ideológica. E tudo o que foi sonegado, segundo a Receita Federal, é algo perto de R$ 1 bilhão. Levá-la direto ao presídio feminino do Carandiru certamente não foi uma decisão acertada. Quem não deve não teme, mas quem deve quase R$ 1 bilhão aos cofres públicos não está na situação de exigir caviar e colchão d’água na cela.

quarta-feira, 4 de março de 2009

O CASTELO DOS HORRORES EXCESSIVOS


Por Joannes Lemos

Oito torres, 36 suítes, 257 janelas de madeira de sucupira, piscinas, lagos, cascatas, salões para festas, adega subterrânea, entre outros “des” caprichos. Um castelo de estilo e gosto duvidoso que já custou R$ 25 milhões. Para se tornar um palácio de fato só faltou as masmorras da inquisição, porque bobo da corte esse projeto arquitetônico símbolo do orgulho desmedido já tem. Bobo não, bobos. Que somos nós mesmos.

O “rei” proprietário desse palácio atende pelo nome de Edmar Moreira, corregedor da Câmara dos Deputados. O político do DEM diz que o castelo construído durante vários anos foi dado de presente para sua mulher. Depois a “obrazinha” foi doada ao filho, mas sem declarar nada à justiça. Ele acredita que esse foi seu único erro.

Edmar Moreira está de consciência tranquila. Talvez porque ele, assim como muitos nesse país, saiba que nossa democracia exerce a função de pano de fundo. O nobre deputado deve saber como ninguém de uma máxima do Brasil: quem tem costas quentes fica com a cabeça fria. Ele vive, afinal, em uma aristocracia e nós em uma demagogia.

Enquanto isso o Castelo Monalisa, no município de São João Nepomuceno, contrasta ao longe com a paisagem brasileira. Imaginem quantas casas populares os tijolos e os valores dessa obra fariam? Enquanto faltam quartos, salas e banheiros com vaso e descarga para muitos, sobra piscina e salões de festas para poucos. O mais gozado da história é que tudo acabará em nada.

A política brasileira tem um enredo tão alucinante que mais parece a trama de “A Favorita”, pois todos os dias algo impactante é revelado. Ou seja, é tanta coisa acontecendo ao mesmo tempo em que há pouco já se falava na casa de R$ 5 milhões de outro colega de Edmar, e amanhã talvez vamos saber da casa de outro que custa R$ 10 milhões, e assim por diante.

A audácia de alguns brasileiros não surpreende mais ninguém, e é exatamente essa ausência de perturbação que precisa ser combatida.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

QUEM QUER VER UM BLOCKBUSTER?

Por Joannes Lemos

Uma multidão lotando as salas de cinema para assistir um filme é tudo o que produtores de cinema querem para suas obras. Conseguir que isso aconteça mesmo o filme não sendo um blockbuster arrasa-quarteirão é o que muitos outros ambicionam. Alcançar esse feito e ainda não deixar para ninguém na festa do Oscar® é o sonho de 10 entre 10 diretores.

Os ingredientes para fazer virar realidade o que está escrito no parágrafo anterior muitos têm, porém, poucos conseguem fazer dessa mistura um delicioso bolo apetitoso. Mas como sempre existe exceção, um inglês de nome Danny Boyle alcançou esse feito com maestria dificilmente vista. Seu mais recente filme, “Quem quer ser um milionário?” tem todas as características de um filme de sucesso: é campeão de bilheteria, de crítica e abocanhou nada mais nada menos do que oito estatuetas no Oscar® 2009 .

A história de Danny Boyle só perde para outras oito produções em quantidade de Oscar: “Ben-Hur”, “Titanic” e “O Senhor dos Anéis – O Retorno do Rei”, que levaram 11 estatuetas cada um, “...E o Vento Levou” e “Amor, Sublime Amor”, com dez e “Gigi”, “O Último Imperador” e “O Paciente Inglês”, com nove cada.

A produção britânica de 2008 despontou como um intruso na lista de possíveis favoritos, afinal, um dos concorrentes na maior premiação do cinema mundial atendia pelo nome “O curioso caso de Benjamin Button”, mega-produção estrelada por Brad Pitt e cheia de efeitos visuais. A trama do galã do cinema norte-americano também é excepcional, mas ficou provado que para ser reconhecido não basta apenas abrir os cofres dos estúdios.

Completamente rodado na Índia, “Quem quer ser um milionário?” custou a bagatela de US$ 15 milhões, uma ninharia perto dos US$ 150 milhões que custou Benjamin Button. Aliás, o valor do filme estrelado por Brad Pitt foi a quantia que o filme de Boyle faturou até a postagem deste artigo (26/02). Ou seja, o filme rodado na Índia já rendeu 10 vezes mais. E vai faturar muito mais, pois esses números são de dois dias após a grande vitória no Kodak Theatre, em Los Angeles.

Outro fator que faz de “Milionário” um sucesso é o fato de não precisar chamar a atenção com grandes nomes do cinema. Todo o elenco é composto por atores indianos desconhecidos. Nomes como Dev Patel, Anil Kapoor, Saurabh Shukla, Raj Zutshi, Jeneva Talwar, Freida Pinto, Irfan Khan, Azharuddin Mohammed Ismail, Ayush Mahesh Khedekar, Sunil Aggarwal, Jira Banjara, Sheikh Wali, Mahesh Manjrekar, Sanchita Couhdary, Himanshu Tyagi (ufa, todos merecem ser citados) ficarão marcados na lista dos cinéfilos. São os atores bollywoodianos sentindo na pele o que é ser hollywoodiano.

São comuns as comparações do filme rodado nos subúrbios de Mumbai com “Cidade de Deus”, longa-metragem de Fernando Meirelles rodado no Rio de Janeiro. Mas as semelhanças são apenas de cenários, porque o roteiro é bem diferente. A produção de Meirelles mostra a vida em meio ao tráfico de drogas nas favelas cariocas entre os anos 1960 e 1970, abordando a briga de facções e a luta pelo poder em comunidades carentes. A história de Boyle mostra a história de um garoto muito pobre, que se inscreve em um quiz show da televisão indiana. Na verdade, a intenção de Jamal nem era ganhar 20 milhões de rúpias, mas sim fazer com que sua amada Latika o visse na TV e o encontrasse.

O jovem com poucas instruções, por uma obra do destino, teve a grande sorte de ser indagado justamente das questões que marcaram sua vida. Uma das perguntas era, por exemplo, quem foi o criador da arma de fogo. Quando criança, ele descobre isso por acaso, e se lembra no momento em que é sabatinado.

“Quem quer ser um milionário?” foi criticado por alguns indianos por mostrar o lado ruim da Índia. Na verdade o filme é realista, pois o país que vemos ali é mais factual do que aquele que temos visto em “Caminho das Índias”, novela global das 21h. As paisagens, os lugares, as ruas e as favelas indianas nos mostram a natureza paupérrima daquele povo. E nessa esfera um dos destaques do filme é a fotografia amarelada, que faz nossa atenção ficar redobrada, além de ser a cor da fortuna, já que lembra o ouro. Representa ainda o calor do povo indiano.

Por essas e outras, se você ainda não foi assistir “Quem quer ser um milionário?” não precisa se preocupar, afinal o filme acabou de estrear nas telonas do Brasil. E se você leu alguma crítica colocando o filme na lama não se surpreenda. Queira ver com seus próprios olhos a esse humilde blockbuster.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

O TELESPECTADOR ESTÁ BIG ATENTO



Por Joannes Lemos
Ninguém consegue mais engolir, forçadamente, certo programa chamado Big Brother Brasil, ou BBB, da Rede Globo. Conhecem? Já assistiram? Pois é, todos os anos, bem no comecinho das férias, a emissora carioca coloca no ar mais uma edição do formato comprado da produtora holandesa Endemol. Muitos criticam, muitos outros assistem, e a maldição do programa continua entrando em nossas casas. Algumas pessoas não gostam, mas, mesmo assim, assistem a essa atração viciante que não leva a lugar algum.

O mais engraçado de tudo, porém, é ver a emissora carioca cometer alguns deslizes (clique na palavra destacada e assista) com o telespectador envolvendo a marca Big Brother e nem sequer pedir desculpas. No último dia 30/01, durante o Bom Dia Brasil, tradicional telejornal da emissora, uma imagem do programa das noites da Globo invadiu uma matéria exibida no matinal com o ministro da Fazenda, Guido Mantega. Durante a entrevista a imagem foi interrompida e podiam-se ver alguns participantes do programa participando de uma prova com bonequinhos da empresa de telefonia Vivo em suas respectivas mãos. Além disso, logo abaixo da imagem estava fixado o logotipo de outra telefônica, a Sony Ericsson.

Depois que a imagem do programa foi retirada do ar ficou visível a perplexidade dos apresentadores do Bom Dia. Renato Machado não pediu desculpas pelo big erro e Renata Vasconcelos ficou com uma big cara de “que merda é essa?”. O programa seguiu normalmente como se nada tivesse acontecido, como se a audiência do telejornal no momento fosse traço (o que significa nenhum ponto). Quem estava em casa assistindo merecia um pedido de desculpas, principalmente pelo fato de que o Bom Dia é assistido por um seleto público formador de opinião. Big Brother é tema para o Jornal Hoje, e se esse erro tivesse acontecido por lá, é bem provável que Sandra Annenberg tivesse dado uma bela gargalhada junto com Evaristo Costa.

Com risadas, pedidos de desculpas ou não, o erro técnico da Rede Globo pegou muito mal. Nos últimos tempos a outrora toda-poderosa parece estar perdida nas ondas televisivas. Talvez a audiência cada vez mais em queda tenha subido à cabeça de todos naquelas bandas. O Brasil pode não estar mais big atento com o que acontece com nossos brothers da casa mais vigiada e baixa do país, mas ainda não perdemos a capacidade de percepção por causa de um programa esdrúxulo.

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

O CAMINHO SOMBRIO DE BUENOS AIRES


Por Joannes Lemos

Conhecida por suas belezas arquitetônicas, Buenos Aires é, sem dúvida, a capital mais européia da América Latina, devido à aparência afrancesada dos edifícios e da arquitetura neoclássica. Com avenidas largas e arborizadas, a maior cidade da Argentina é um prato cheio para turistas assíduos por boa gastronomia, diversidade cultural e belos cartões postais para uma foto inesquecível.

De acordo com o Indec (instituto Nacional de Estatística e Censos), órgão do governo argentino, a população de Buenos Aires no censo de 2001 era de 2,9 milhões de habitantes, e sua região metropolitana (com todas as cidades da Grande Buenos Aires) atingia 13 milhões de pessoas. Isso faz da capital portenha a segunda maior metrópole da América do Sul, atrás apenas de São Paulo.

Como toda grande metrópole, a capital onde nasceu Evita Peron também tem suas mazelas: redutos de extrema pobreza, mendigagem, violência urbana, dentre outras, típicas de amplos centros urbanos de todas as partes do mundo. Talvez, um dos fatos que mais incomodem aos turistas nas ruas históricas do centro da cidade são as ofertas incessantes de serviços de prostitutas.

A abordagem é constante em ruas movimentadas que atraem muitos turistas, como a Calle Florida e Calle Lavalle, bem no coração da cidade. A cada dezena de passos e principalmente ao anoitecer, muitos visitantes são abordados com ofertas de chicas (menina em espanhol), prontas para serem degustadas como se fossem uma típica parrilada dos restaurantes das redondezas.

Quando algum turista brasileiro é reconhecido, a insistência é ainda maior, como se os viajantes daqui fossem visitar a capital portenha atrás de aventuras promíscuas. E o autor deste post diz isso com autoridade de causa, pois chegou a ouvir de uma agenciadora na Calle Florida que lindas moças o esperavam com sexo sem enganação. E eles são bem diretos.

Fica a torcida, então, para que a capital do tango que tanto valoriza o passado dos belíssimos prédios históricos sem esquecer do futuro visto nos modernos prédios de Puerto Madero possa desvencilhar-se da dita “profissão” mais antiga do mundo. De fato, essa mudança radical é difícil, mas a prática não precisava ser tão escancarada e asquerosa como é visto. Afinal, deu para notar que a maioria dos turistas – aqueles que vão a procura de diversão saudável – desaprovam esse “atrativo” que não tem nenhum encanto.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

$ERÁ QUE ELE AINDA RENDE?

Por Joannes Lemos


Lá sem foram os tempos áureos de Ronaldo Luís Nazario de Lima, mais conhecido com Ronaldo “Fenômeno”. Aos 32 anos, Ronaldo vê sua carreira de futebolista minguar ainda cedo, ao contrário de outros craques, que encerraram suas carreiras em alta.

Não é especialidade do blog Contemporâneo falar sobre futebol, mas o autor desse post tentará fazer das tripas coração para discorrer sobre o assunto. Todos já viram nos jornais, revistas, TV, internet e outros meios de comunicação que o ídolo número 1 de Galvão Bueno vai “jogar” no Corinthians. Fato que acontece após passagens bem sucedidas por alguns times europeus, como PSV da Holanda (42 gols em 45 partidas), Barcelona da Espanha (34 gols em 37 partidas), Internazionale da Itália (49 gols em 68 partidas) e Real Madrid da Espanha (82 gols em 127 partidas).

A trajetória inicial de Ronaldo não pode ser ignorada. Como quase todos os jogadores que sobem na vida, ele começou em times pequenos. Em 1990, começou sua carreira no Social Ramos Clube e, em seguida, foi parar nos gramados do pequeno São Cristóvão, ambos do Rio de Janeiro. A carreira de Ronaldo, no entanto, só começou a deslanchar a partir de 1993, quando ele jogou no Cruzeiro. Com 12 gols em 14 partidas, o menino prodígio do futebol brasileiro daquela época chamou a atenção de grandes clubes internacionais.

O menino do subúrbio carioca, então, foi desfilar seus dribles de craque nos gramados do velho mundo. Paralelamente à carreira internacional, Ronaldo deixava sua marca na seleção brasileira, quando, aos 17 anos, foi campeão mundial na Copa do Mundo dos Estados Unidos em 1994. Entre esse ano e 2006, o novo camisa 9 do Corinthians marcou 74 gols em 112 partidas a favor da seleção canarinho. Números que não podem ser desprezados.

Após um período de grande ascensão profissional, pontuada por glórias, dinheiro e muitas festas regadas à champagne, a carreira de Ronaldo ganhou um sentido de decadência, com muitos escândalos e manchetes corriqueiras em tablóides sensacionalistas. O dinheiro e os escândalos continuam. As glórias, nem tanto.

O futebol dele já não é o mesmo há muito tempo. Se é que ainda é possível falar que ele joga alguma coisa. Aqueles passes mágicos que lembravam Pelé e Garrincha já não existem mais, ou, pelo menos, não são repetidos com a mesma freqüência de seus tempos de ouro. Não que esse declínio seja algo desejável para os caminhos de Ronaldo, mas esperava-se que ele tivesse um fim de carreira com os holofotes positivos da mídia e da opinião pública, e não que seu nome fosse motivo de chacota.

Nos últimos dias, contudo, chega a ser engraçada a forma como apresentaram o nome do jogador aos torcedores. O Corinthians, que emergiu da segunda para a primeira divisão do campeonato brasileiro, apresentou o ex-fenômeno com toda a pompa que o outrora melhor jogador do mundo teria direito. Na verdade, o nome dele ainda representa um grande peso para qualquer time. O problema – também para qualquer time – é o fato do jogador estar acima do peso, o que o impossibilita de uma atuação apreciável.

Depois do choro da torcida flamenguista, que ainda tinha esperanças de ver o atleta na equipe carioca, foi a torcida do time paulista quem comemorou. Provavelmente, Ronaldo não trará muitos saldos positivos ao Corinthians, pelo menos não no saldo de gols. As verbas publicitárias, todavia, irão “bombar”, afinal, Ronaldo pode não ter mais futebol, mas ainda é dono de um bom apelo comercial.

sábado, 18 de outubro de 2008

BARBÁRIE


Por Joannes Lemos

Quando se pensa que nada de perverso e banal pode voltar a acontecer, eis que lá vem a bomba. Como se já não bastasse as mazelas diárias, como crises americanas, provas e trabalhos nos estudos, dinheiro curto e taxa Selic em alta, ainda temos que acompanhar o drama de mais uma história que mais se parece uma lenda urbana. E não existe a possibilidade de ficar alienado a tudo isso.

Esteve e ainda está em todos os veículos de comunicação o caso estarrecedor do seqüestro das adolescentes Eloá e Nayara, ambas de 15 anos, enclausuradas pelo jovem Lindemberg Alves, 22 anos, em Santo André, no ABC paulista. O rapaz, como todos já sabem, não se conformava com o fim do namoro com Eloá. Num ato de insanidade ele manteve as duas meninas em cativeiro desde o dia 13 de outubro, segunda-feira. O seqüestro, que terminou com cenas cinematográficas, só chegou ao fim na tarde da sexta-feira, 17. Nayara, que chegou a ser libertada, voltou dias depois em solidariedade à amiga. Atitude impensável nos dias de hoje. Mas a volta dela ao cativeiro foi um erro gritante.

Nesse momento todos se perguntam: por quê? Como pode um jovem saudável, normal segundo as pessoas que o conheciam, cometer impensavelmente um ato que, deveria ser presumido, teria grandes chances de acabar em tragédia?

E o desfecho dessa novela (ou filme) só poderia mesmo terminar em desgraça. A polícia, sem conseguir negociar e não demonstrando capacidade para isso, precisou invadir. Entretanto, essa ação foi praticamente inevitável, pois o jovem Linbemberg demonstrou ser uma pessoa descontrolada durante os quatro dias de negociações.

Em todos os dias do seqüestro as emissoras de TV, sites e jornais deixaram a população a par da situação. Palmas para nossos meios de comunicação. Mas teve gente que exagerou, e tentou fazer o papel de negociador ao vivo. Ai ai hein Sonia Abrão! Mas por ser quem foi nem surpreende. Afinal, para alguns pseudo-programas de TV vale tudo por uns 2 pontinhos a mais na medição prévia do ibope.

O que todos querem agora é um desfecho feliz para as jovens feridas, apesar do estado gravíssimo de Eloá (até a postagem deste texto o estado dela era delicadíssimo, com poucas chances de sobrevivência). Espera-se também que Deus dê um rumo para a nova vida tortuosa que Lindemberg terá pela frente.